terça-feira, 12 de março de 2013

Maps and borders



Durante a viagem acabei de adquirir uma nova mania que andava ainda tímida... Mapas. Cada cidade por onde passei peguei mapas, comprei postais bacanas e iniciei minha coleção de viajadora... O que é meio contraditório, eu sei.. minha cara. A foto é da capa de um calendário que comprei em meu último dia em Londres, me apaixonei por ele na vitrine, entrei e comprei e sai abraçada com ele, feliz da vida! hehe..

Ando pensando muito sobre história e geografia, principalmente.. voltei com vontade de voltar a estudar sério, rever aquelas bobagens que aprendemos na escola, agora como adulta, e por interesse genuíno em entender esse mundo que tanto me atordoa e me encanta. Entender onde estamos e por que estamos aqui, assim...

Então iniciei algumas leituras e olha o que achei, que lindo e perfeito! Me identifiquei tanto!!!


"Mas adiante você fala em "apertado dilema: nacionalismo ou universalismo. O nacionalismo convém às massas, o universalismo convém às elites". Tudo errado. Primeiro: não existe essa oposição. O que há é mau nacionalismo: o Brasil pros brasileiros — ou regionalismo exótico. Nacionalismo quer simplesmente dizer: ser nacional. O que mais simplesmente ainda significa: Ser. Ninguém que seja verdadeiramente, isto é, viva, se relacione com seu passado, com suas necessidades imediatas práticas e espirituais, se relacione com o meio e com a terra, com a família etc., ninguém que seja verdadeiramente, deixará de ser nacional.
(...)
E agora reflita bem no que eu cantei no final do "Noturno" e você compreenderá a grandeza desse nacionalismo universalista que eu prego. De que maneira nós podemos concorrer pra grandeza da humanidade? É sendo franceses ou alemães? Não, porque isto já está na civilização. O nosso contingente tem de ser brasileiro. O dia em que formos inteiramente brasileiros e só brasileiros a humanidade estará rica de mais uma raça, rica duma nova combinação de qualidades humanas. As raças são acordes musicais. Um é elegante, discreto, cético. Outro é lírico, sentimental, místico e desordenado. Outro é áspero, sensual, cheio de lembranças. Outro é tímido, humorista e hipócrita. Quando realizarmos o nosso acorde, então seremos usados na harmonia da civilização. Nós só seremos civilizados em relação às civilizações o dia em que criarmos o ideal, a orientação brasileira. Então passaremos da fase do mimetismo pra fase da criação. Então seremos universais, porque nacionais."

Mário de Andrade. Carta a Carlos Drummond de Andrade, 1924.

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