sábado, 25 de maio de 2013

Detroit, here I go!

Depois de meeeeeseeessss esperando, o pessoal da Fulbright finalmente me escreveu há uns dias contando pra onde eu vou: para Wayne State University, Detroit, Michigan, USA.

É uma bolsa de 9 meses, com incício em Agosto próximo, com tudo pago, em que devo ensinar Português e estudar as matérias que quiser dentro dessa Universidade "americana". Sim, esse é um problema grande: odeio como os Estados Unidos se definem como América, mas é pra lá que eu vou e preciso entender como lidar com isso... hahahaha... chata eu? Acho que não!

Estou animada e acho que será uma experiência rica e modificadora, onde poderei voltar a "dar um gás" na vida acadêmica e na vida em geral, trabalhar e estudar bastante.. conhecer uma nova cultura, me fixar uns tempos em uma nova cidade, viajar por lá, inclusive pro Canadá, que está do lado... quem sabe faço meu mestrado "andar" enquanto estiver lá...

Enfim, com certeza será muito bacana!!! Estou muito feliz de ter uma oportunidade tão maravilhosa de sair do país sem gastos para crescer e desenvolver ainda mais meu Inglês, minhas habilidades como professora dentre tantas outras coisas.

United States of America, I'm coming soon!

Mudando, de novo... sempre.

Acho curioso notar como anda sendo extremamente difícil pra mim lidar com o "fim marcado", essa sensação de que não posso começar nada realmente que dependa da minha presença em um lugar porque em breve estarei longe por 10 meses, e depois em outro lugar longe de onde estava e depois sei lá onde.. enfim, essa incerteza de paradeiro que eu sempre quis e busquei ter aconteceu e me desorientou imensamente.

Minhas amigas me dizem sempre o quanto eu sou desapegada, ao menos bem mais que elas, ou um pouco mais.. Bem, pode ser.. mas eu ainda assim quero ter meu cantinho e ainda assim quero ter um companheiro de vida e gostaria de ter filhos... Só que é difícil conciliar isso tudo, os meus desejos sempre tão divergentes... E talvez venha daí uma necessidade mesmo de desapego, pra tentar sofrer de saudade só de pessoas amadas e não de mais tantas coisas que adquirimos ou desejamos. Eu e meu estilo nômade, como definiu minha terapeuta...

Mas, espera, quando é que sabemos mesmo quando será o nosso fim, ou o de pessoas que amamos ou projetos que iniciamos e acreditamos? Quando nossa presença é eternamente necessária ou o quanto devemos deixar as coisas serem mais leves, viver e ver onde chegamos? Por que tanto medo do fim, inclusive de um fim que sei quando é e estou de certa forma preparada ou me preparando para ele?! Por que tanto medo da morte?

A gente reclama tanto que fulano morreu do nada, que se ainda estivesse doente era mais fácil da família se acostumar com a ideia de sua ausência... Só que o fim é fim de qualquer jeito e sofremos do mesmo jeito ou mais, quando ele é sabido. O grande problema é que esse medo anda me travando de fazer coisas bacanas no meu presente. É disso que estou buscando me livrar. Esse mês de Maio está sendo particularmente improdutivo, mas venho tentando me organizar internamente.

Percebi que amadurecimento e solidão andam de muitas formas juntos. Nossas vivências e percepções são individuais, sempre. Nossas crises são nossas, nossos crescimentos são nossos, e nossa felicidade é nossa. As pessoas que estão ao nosso lado, quando estão, vivem ali a vida e as experiências delas - com quem muitas vezes nos identificamos e nos aproximamos e nos sentimos menos sós, mas na companhia de outros interessados em compartilhar, em tentar expressar suas vivências e crescer juntos... Que alegria são os grandes amigos! Aqueles que com olhares, em silêncio, se amam e entendem que o sentimento é grande e às vezes complexo demais para ser dito.

É tão importante estarmos bem sozinhos para nos relacionarmos com o mundo em geral.. e então qual o problema do fim mesmo? Que vamos sentir saudade? Que vamos chorar? Que vamos ter que nos desapegar e reaprender a viver sem, ou apenas com a lembrança e os aprendizados? Mas não é disso que se trata crescer e virar adulto? Lidar com a solidão, compartilhar o seu melhor e tentar aprender a lidar com frustrações? Bem, ando refletindo bastante sobre tudo o que já me aconteceu, já se passou comigo e ao meu redor..

No momento estou tentando me desapegar de mais coisas, organizando mais uma mudança da minha família em Araxá, resolvendo o que fica onde e com quem.. o que vai comigo pros Estados Unidos, o que eu doarei e pra onde/quem... Naquele processo de relembrar e reler memórias enquanto embalo um presente que ainda não consigo dar, de uma carta que me escreveram com tanto amor, roupas que não vou mais usar, sapatos que percorreram tantos cominhos comigo... Tchau casa, tchau coisas, tchau Taciana, tchau família, tchau drama, tchau... Vou em busca de mim em um novo lugar! E mais outros tantos!

Que venha muita vida, muitas descobertas, muitas alegrias, muitos aprendizados, muitos choros, muitos ois e tchaus, muito amor e muuuita troca pela frente, sempre! E que eu tenha sabedoria e leveza para lidar comigo e o mundo! Cada vez mais.